Olhei nos
seus olhos. Como eu já não fazia há um tempo. Eu tinha algo a esconder de você,
mas seja lá o que fosse, eu queria que você visse ali, naquele dia, naquela
hora, naquela conversa. Eu precisava me expor, me expressar, me mostrar pra
você. Eu disse tudo o que o meu coração estava gritando, eu tentei decorar
todas as suas expressões. Eu não queria nem piscar, que era pra você não sumir
de mim nem por um milésimo. Mal sabia eu...
Eu olhei nos seus olhos. Eu olhei de verdade. Eu disse tudo. Mesmo. Eu disse a verdade. Eu queria sair dali e te levar pra mim. Eu não queria desgrudar de você nunca! Eu prometi que eu faria a minha parte, eu prometi que podíamos dar certo, que eu ia tentar. Você também prometeu. Mas você não seguiu.
Ainda é muito fresco em mim o seu frescor, o seu sabor. O meu amor. A saudade ainda é forte, o sentido de que algo falta, mas vai voltar. Mas não vai. Você perdeu o caminho de casa? Eu posso te trazer comigo. Eu tentei tanto... O tanto que eu pude, que você deixou. E o que você deixou foi a impotência. A dor, a saudade. As promessas vazias. Você deixou mágoa, deixou vontade. E você disse que o faria, lembra? No meio daqueles beijos, naquele ultimo cinema. Se eu soubesse que seria o ultimo, eu não te deixava ir. “Me dê mais um beijo”, eu lembro de pedir. “O último, que é pra te deixar na vontade”. Vontade de quê? De sofrer? De querer mesmo algo que nunca vem? Que nunca volta? “Estou com medo”. “De quê?”. “De estar sentindo isso sozinho”. “Você acha que se eu não estivesse sentindo, eu estaria aqui?”.
Eu fiquei em
dúvida sobre a resposta, mas hoje eu a tenho. Eu não acho. Eu tenho certeza.
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