Não tem como
falar de algo que acabou sem falar do que foi. E não tem como falar do que foi,
sem falar de como começou. Já pensei diversas vezes se foi mesmo uma boa ideia
ter saído de casa naquela tarde de outubro... Pra ter aquele encontro. Afinal,
as dores pós-tudo são graves. Mas sim, valeu a pena. Não pela dor, pela
saudade, pela nostalgia, ou por todas as noites que fiquei pensando em você. Foi ruim ter que deixar de ouvir todas aquelas músicas que eu amava, pois tive prazer em compartilhá-las com você um dia e hoje, qualquer simples acorde de uma daquelas músicas me despertam da anestesia que é a distração. Digo, aqueles momentos em que eu não estou pensando em você e basta um ritmo pra me jogar de volta ao passado, no nosso mundo que desabou. E foi por isso, digo, por ser obrigado a me lembrar mais da dor do que do amor, que eu tive que abrir mão de tanta coisa. De tanta lembrança, de tanta conversa, de lugares, pessoas, músicas e espaços que me traziam flashbacks de nós dois. Sim, eu abri mão de muita coisa. Mas eu jamais abriria mão de você, de nós dois. É uma pena que eu não pude te obrigar a ficar, segurar a sua mão na minha toda vez que você ameaçou ir embora. Era difícil te deixar ir, mas eu sabia que você voltaria. Até o dia em que não voltou mais.
Ah, mas tudo isso foi a muito tempo. Muito, muito tempo. Bem mais que 365 dias atrás. A questão é que eu já passei por bons bocados desde que você se foi. E hoje, nesse dia dos namorados, eu gostaria de estar comemorando com ninguém menos que você. Sim, já foi a muito tempo. Já estive com outras pessoas. Mas todas elas foram vãs tentativas de te "esquecer". Esquecer, de você? Tolice, eu sei. Mas não posso negar em dizer que já quis. Hoje em dia já me convenci de que se for pra esquecer, eu vou com o tempo. E que quando mais eu tento esquecer, mais me lembro.
Foi pensando nisso que eu resolvi criar o 365 dias sem você. Faz mais tempo, eu sei... Mas assim posso registrar durante um ano, tudo o que eu vou sentir, vou viver e vou fazer sozinho. Não que sejam coisas ruins, entenda. É que vão ter dias bons, dias ruins, e dias comuns. Sei que o que mais vai ser falado aqui é sobre a saudade, mas tudo bem. Ao menos eu poderei escrever sobre você, e assim te trarei mais pra perto de mim, na minha memória, já que isso não me machuca mais.
Você se tornou um amigo, o que sempre foi, menos presente. Um amigo imaginário que está comigo sempre que eu preciso. E por mais que eu não tenha mais o calor dos seus beijos, ou seus braços no nosso abraço, eu ainda tenho toda a saudade, todo o amor que eu te prometi e não consegui jogar fora. Eu ainda tenho as cartas, as rosas, os presentes. Eu ainda tenho você tão vivo em mim mesmo que tão longe.
E agora tenho um blog pra te escrever, por mais que você não vá ler.
Tenho tudo que sempre tivemos. Mas assim como esse dia dos namorados, os próximos 365 serão assim: com você presente no pensamento mas nos braços de outro alguém.
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